Imprensa

17-Jun-2019 15:00
Aposentadoria

Capitalização transforma Hong Kong em caso de estudo sobre pobreza na velhice

No território chinês, um terço das pessoas abaixo da linha da pobreza são idosas.

A Ásia envelhece a passos rápidos. O número de pessoas com mais de 65 anos em Hong Kong deve dobrar até 2036, representando mais de 30% da população.

O território chinês tem uma das taxas de fertilidades mais baixas e uma das expectativas de vida mais altas do mundo, ao lado do Japão e Singapura. Em média, mulheres vivem 87 anos, enquanto homens chegam aos 81 anos. Por lá, vive-se mais e pior.

Não há pensão universal, idosos podem solicitar ajuda financeira, ter descontos e esperar por alguns anos uma vaga em um asilo público.
Hoje, uma em cada 5 pessoas em Hong Kong vive abaixo da linha da pobreza, apesar de uma economia que cresce e uma taxa de desemprego baixa. A miséria atinge em especial os idosos.

Hong Kong é um caso de estudo sobre pobreza na velhice. Com o modelo de capitalização e proteção social insuficiente, um terço das pessoas em situação precária são idosas.

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Hong Kong

Grande parte precisa ainda assim viver com a família, como manda a tradição chinesa. Prática que tem se tornado cada vez mais insustentável devido ao alto custo de vida do território.

O auxílio do governo, menos de R$ 1.970 (HK$ 4.000) por mês, é insuficiente para pagar um aluguel na cidade com o mercado imobiliário mais caro do mundo —mal paga transporte, alimentação e remédios.

O que é capitalização?

Cada trabalhador tem uma conta individual, onde é depositada uma porcentagem de seus rendimentos. Esse dinheiro é aplicado pelos gestores e funciona como uma poupança compulsória. Quando se aposenta, ele pode fazer saques do dinheiro poupado. 

A esse cenário de descaso e abandono, soma-se um limitado acesso a serviços de saúde mental. A taxa de suicídio entre os idosos é o dobro da registrada em qualquer outra faixa etária, de acordo com dados do Centro de Pesquisa e Prevenção ao Suicídio, da Universidade de Hong Kong. 
 
O governo se defende das estatísticas dizendo que o relatório sobre a pobreza no território (Hong Kong Poverty Situation report) leva em conta renda e não bens.

A solução paliativa defendida pelo governo é encorajar que aposentados se mudem para a China continental, onde o custo de vida e expressivamente menor. O território tem acordo com províncias chinesas vizinhas para que idosos possam receber benefícios do outro lado da fronteira.
 
Tida como modelo do neoliberalismo, o paraíso fiscal hoje gasta em proteção social praticamente o dobro do que gastava em 2009. O desafio demográfico, que também é uma realidade na China continental e em outros países asiáticos, gera pressão sobre o sistema de saúde e faz proliferar asilos privados.
 
A necessidade de expansão de benefícios sociais para combater a alarmante taxa de desigualdade social e para garantir condições dignas na velhice vem sendo debatida em Hong Kong.

 

 

 

Luiza Duarte - Folha de São Paulo
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